Sociedade / Janeiro 01, 2015

Só depende de você

divulgação/reprodução: Google.

A única pessoa capaz de realizar seus sonhos é você. (divulgação/reprodução: Google)

Parece que foi ontem que 2014 começou e agora ele já se foi. Nesses 3645 dias vivi as mais diferentes situações, senti os mais diferentes sentimentos, pensei que não iria conseguir resolver certos problemas, sonhei em realizar coisas que não realizei em 2013 e algumas ainda continuo sem realizar.

Realmente, foi um ano…diferente, único, assim como os outros foram, cada um trazendo diferentes situações e momentos. Aprendi que dizer sempre: “Mais um ano igual como outros, mais um dia comum” é algo que falamos sem pensar, porque cada dia, cada minuto que vivemos, são situações tão diferentes e  únicas, que nunca mais serão repetidas da mesma forma. Isso faz com que sejam especiais, únicas.

A chegada de um ano novo, abre as portas para novas possibilidades, novas conquistas, novos desejos. Porém, tudo isso só será capaz se uma única pessoa tiver a iniciativa necessária para que esses itens se realizem: Você.  É muito fácil sempre jogar a responsabilidade do nosso fracasso em alguma coisa ou pessoa, sempre tirando a carga de nossos ombros e distribuindo a terceiros. Eu já fiz isso, você já fez, todos nós já fizemos e muitas pessoas ainda vão continuar fazendo. Porque é um comodismo sem tamanho e uma crueldade com a vida que nos foi dada, pois acaba sendo desperdiçada com reclamações, mal-humor, descontentamento, frustração, etc. São sentimentos que quero (e vou) tentar evitar ao máximo em 2015, gastamos tempo demais  com coisas desnecessárias ou que não deveriam ter tanta importância e significância e deixamos o que realmente importa de lado. Ter foco e não se abater nos problemas que surge, é algo fundamental se você quer um ano diferente e cheio de conquistas, não só em um ano novo, mas para toda a vida.

Particularmente falando, 2014 foi um ano de desafios pra mim, todo amadurecimento que eu pensei que tinha não foi nada comparado no amadurecimento que eu obtive ao longo do ano, percebi que resolver certos problemas sozinho não é possível, que sempre devemos ter pessoas com quem contar. Reaprendi o valor de uma amizade verdadeira e a simplicidade e cumplicidade que ela tem. Percebi mais uma vez que a família é e sempre vai ser algo fundamental e de extrema importância na minha vida. Refleti e cheguei a conclusão de que o amor é um sentimento incrível e especial, mas nem sempre vai ser o mar de rosas que achamos que é. 2014 passou, mas as pessoas e suas dilemas, sentimentos, angustias e desafios ainda estão ai, aguardando para serem desbravados, 2015 chega com a promessa de melhora e que ela realmente venha. Mas para isso tudo acontecer, mais uma vez, só depende de você.

FELIZ ANO NOVO E QUE COMECE 2015!!

por Hélio Santos
Sociedade / dezembro 24, 2014

Então é Natal

Qual o sentido do Natal?

Enfim chegou!

A Data das festas, comemorações, presentes, família reunida, comida que não acaba mais, frio, ops calor e chuva!

Natal, sempre foi uma época do ano que me enchia os olhos, aquela coisa da magia da Natal, me sentia esperançoso, alegre, lembro de quando criança ficar ansioso pra chegar a manhã de Natal e abrir meus presentes o ver o que o velho Noel havia deixado pra mim, era muito bom. Lembrar disso agora fez com que me sentisse nostálgico e com saudades daquele tempo. Mas como dizia Cazuza, o tempo não para!

Hoje, percebo que não tenho os mesmos sentimentos da infância, não que eu passei a odiar ou ignorar o Natal, mas vejo que não o tenho com a simplicidade e a magia que sentia anos atrás. Aprendi que o Natal se tornou algo meio que apenas “vendido” que serve apenas para consumo, consumo e consumo, reunir os amigos e família e consumir mais ainda.  E não queria acreditar que era só isso, até achar outro significado: Jesus.

Sim, além de consumir todo o nosso 13º em presentes, festas e viagens o dia 25 de Dezembro também se comemora o aniversário do menino Jesus. E através dele comecei a conhecer o que considero hoje o objetivo do Natal mais verdadeiro pra mim. Que é a partilha, o amor ao próximo, compaixão, ter a sensibilidade de que apenas o fato de ter seus amigos e familiares por perto é um baita de um presente.

São as pequenas coisas, os pequenos gestos de amizade, alegria e união que fazem com que o Natal tenha essa “magia”, e é isso que Jesus nos deixa de ensinamento, e que muitas das vezes, acabamos esquecendo, ou deixando de lado, considerando não tão importante. Deixando que sejamos moldados conforme a vontade da sociedade que preza em sua maioria pelo consumismo desenfreado. Não estou aqui defendendo qualquer tipo de modalidade religiosa, mas enfatizando o quão importante é Deus em nossas vidas, e como essa importância é deixada de lado por muitos.

Apesar de hoje ter essa real consciência do Natal, não sou o exemplo de simbolo natalino, ainda tenho muito o que aprender e botar em pratica, mas o simples fato de saber o que realmente é natal já faz com que eu possa ter uma postura diferente nessa data. Além de procurar conhecer e se aproximar desse lado natalino que acho que todos temos, aproveitar esse momento e estar reunido com quem amamos e que queremos bem, deve ser uma das maiores alegrias para nós, pra mim com certeza vai ser.

Feliz Natal e Feliz Aniversário ao menino Jesus!

por Hélio Santos
Sociedade / outubro 26, 2014

Seja um cidadão consciente você também.

Mostra sua força Brasil.

E enfim estamos nele. Chegamos naquele momento onde todo mundo sabe o que é melhor, sabe o que deve ser feito e planejado. Todos somos “técnicos” e “especialistas” no assunto. Alguns são conservadores e ditam pelo mesmo de sempre, pois é nele que as coisas têm acontecido. Outros mais radicais buscam a mudança, inovação sem medo algum, se jogam em novas palavras e jeitos novos de se dizer o mesmo de sempre. Alguns outros mais cautelosos procuraram estudar afinco, saber detalhes, ficar procurando “pelo em ovo” e no fim, deixar passar tudo em branco e apenas se queixando tempo depois. Pois é, e assim caminhamos para mais um pleito.

Passamos pelo tão fatídico dia da eleição. No último dia 05 de Outubro e hoje no dia 26, acompanhamos mais uma “festa da democracia” brasileira. Nessa eleição me senti muito mais maduro na escolha do meu voto, senti que agi de plena consciência sem partir da opinião de terceiros, não me deixei ser coagido, seja por parentes, amigos, conhecidos, religiosos, etc. Foi uma questão de pura e total escolha minha e apenas minha. Coisa que deveria ser feita naturalmente, mas você brasileiro como eu, sabe que muitas vezes não é isso que fazemos. Nos deixamos levar, somos influenciados e coagidos por outras pessoas muitas vezes sem ao menos perceber, e quando acordamos já tarde demais. Me senti assim não última eleição municipal em 2012. Semanas após a votação fiquei avaliando os candidatos em que votei e cheguei a conclusão que me identifiquei apenas com as ideias de um candidato “então porque raios votou nos outros?” além de citados os motivos acima, acredito que fiz de maneira inconsciente a transferência de responsabilidade a outros. Mostrando que se meu voto fosse errado o voto de outras milhares de pessoas que também votaram no mesmo candidato também haveria sido errado e repreensões seriam evitadas. Eu sei, louco não é?

Ao longo do tempo aprendi a ser observador e ficar atento a maneira com que as pessoas expressam suas opiniões, e o que falei a pouco é a mais pura realidade brasileira. Nós cidadãos, nos deixamos levar muitas vezes por candidatos pomposos que falam bem, prometem mundos e fundos, por parentes e amigos que se identificam com certos candidatos e pensamos: “Se fulano vota nele é porque ele realmente deve ser bom”. Eu pensei assim por algum tempo, e vejo o quão isso foi prejudicial ao meu voto, a minha escolha e a minha cidadania. Não foi algo simples, perceber que em alguns casos eu praticamente havia jogado meu voto fora, mas felizmente eu percebi o quão equivocado fui, o quão alienado fui.

Depois disso tudo cheguei a conclusão que, se eu, possuindo acesso a informação, tenho capacidade de buscar essa informação muito mais fácil do que pessoas que vivem nas regiões mais isoladas e carentes do Brasil, ainda sim, mesmo tendo todo esse acesso, votei de maneira inconsciente, imagina as pessoas que não possuem esse acesso? O quão manipuláveis elas são e o quanto elas fazem do seu voto, uma moeda de troca totalmente desvalorizada. É uma dura realidade de um país que sonha com melhorias e mudanças. Um país com pessoas sofridas, que se dedicam ao máximo pelos seus, um país que esperava mais dos seus representantes.

Infelizmente essa uma realidade que demorará anos e anos para ser mudada, se é que um dia vai ser mudada. Mas, como bom brasileiro, não perco a esperança de um futuro melhor, de uma mudança maior e significativa. Por enquanto essa “utopia política” fica nos sonhos, no momento fica a iniciativa de buscar dentre as opções o melhor que temos, e assim, esperar e principalmente cobrar (que é outro detalhe que nós brasileiros não fazemos) os nossos representantes. Pois política por si só, não é apenas os engravatados que fazem, todos nós fazemos, e por assim ser, nós devemos buscar as mudanças e não esperá-las sentados enquanto as coisas acontecem em nossa volta.

Pois é, eleições são assim, complicadas, difíceis de entender, difíceis de serem interpretadas de uma forma clara por todos, mas será que deveria continuar a ser assim?
Nesse segundo turno das eleições presidências, que possamos ter maior consciência da nossa responsabilidade enquanto cidadãos dessa nação e buscar sempre o melhor para nós, nossa família e nossos semelhantes, se é de um Brasil justo que estamos atrás essa é a hora de tentá-lo fazer ser realidade, hoje, amanhã e cada dia mais.

por Hélio Santos
Olhares Urbanos / setembro 02, 2014

Projeto – Olhares Urbanos

Esse final de semana comecei a tirar da cabeça botar em prática uma ideia que já havia tido a algum tempo mas sempre encontrava um empecilho pra iniciá-la (mas uma vez meu lado procrastinador entrando em ação). Pois bem, é uma simples que já vi outros blogueiros fazendo só que de forma de diferente, e o meu bem mais amador convenhamos.

O “projeto” nada mais consiste apenas em tirar fotos de lugares urbanos, lugares que geralmente passamos várias vezes no dia, na semana, em não nos damos conta da riqueza dos detalhes que esses lugares nos proporcionam, as pessoas com suas diferentes personalidades, formas de enxergar o mundo ao sua volta, a natureza, as construções que homem cria. Todos esses detalhes que estão a nossa volta, na maioria das vezes são simplesmente ignorados. E a ideia é mudar isso, mostrando novos olhares, novos pontos de vistas, novos “olhares urbanos”.

Monumento Comemorativo do II centenário do Café no Brasil

Monumento Comemorativo do II centenário do Café no Brasil

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Largo do Pará. (Campinas - SP)

Largo do Pará. (Campinas – SP)

por Hélio Santos
Sociedade / agosto 24, 2014

Representante do sonho

tumblr_lzej7vTne81ql0kqiAcredito muito que tudo aquilo que sonhamos, que almejamos para a nossa vida, somos capazes de conseguir. Basta ter determinação e o principal, ter certeza do que realmente você quer. Pois se nem certeza dos nossos sonhos temos, não seremos capazes de torná-los verdade.

Eu, com essa mania de observar tudo e todos, acabei presenciando uma conversa que me chamou bastante a atenção e que me inspirou inclusive a fazer esse post. Ontem, estava voltando do trabalho, sendo embalado em um sono pelas músicas do John Mayer, mas ao sentir balançar “delicioso” que o ônibus faz acabei acordando e perdendo o sono. Dentro do ônibus acabamos escutando várias conversas, muitas vezes sem querer, porque muitas pessoas não sabem ser discretas e comentar certos assuntos em lugares mais reservados do que um ônibus. Outras vezes, o assunto acaba te interessando e você começa a prestar a atenção, como aconteceu comigo. Reparei em uma garota que estava sentada no banco a frente do meu. Ela deve ter mais ou menos 15 ou 16 anos, provavelmente voltando da escola pelo que pude reparar. Estava conversando com uma senhora, não sei se era algum parente, ou conhecido, algo assim. A garota comentava com a senhora sobre seu futuro, seus planos, que a escola estava bem puxada, mas que ela adorava estudar, já havia pesquisado vários livros e sites sobre design de interiores, que é a faculdade que ela deseja fazer. Até ai normal, ela estava comentando seus desejos, assim como fazemos a qualquer pessoa que conhecemos, o que me chamou mais atenção era a maneira com que ela dizia tudo isso. Bem animada, sorridente, toda vez que falava do curso, dizia que queria viajar muito, conhecer diferentes estilos de designers, aprender bastante e ser reconhecida pelo seu trabalho.

A senhora ouvia tudo pacientemente e assentia de forma positiva com um sorriso singelo, observando a jovem. Logo o assunto foi se dissipando e mudando. Eu fiquei com aquele momento guardado na cabeça, e lembrando de quando tinha aquela idade, lembrando dos meus sonhos, dos meus desejos naquela época. E refletindo depois: “Será que realizei algum dos meus sonhos?”, “Será que ainda tenho os mesmos sonhos?”.

O ser humano, é um ser fantástico, tem a habilidade de aprender e se adaptar ao ambiente em que vive, mudando constantemente. E por mudar constantemente o que ele deseja hoje, amanhã já não será algo relevante. E vejo que isso se torna mais verdade após refletir nessas perguntas, como mudei nesses anos, e como acredito eu, que vou mudar ainda mais daqui a 10 anos. Mas uma coisa com certeza não quero e acho que não vou mudar: nos meus sonhos. Na vontade de realizá-los, de vê-los realidade.

A única coisa que me critico e acredito que a maioria das pessoas também se critica, é que muitas vezes deixamos nossos sonhos de lado por acreditar que não sejam mais possíveis de acontecer. Porque nós achamos que com o passar do tempo “acordamos para a realidade” e que os sonhos são coisas de crianças e adolescentes e nunca se realizarão. Quem disse isso? Quem definiu isso? A vida, o destino? Citando Emicida: “O maior representante do seu sonho é você mesmo, se isso não te fazer lutar, eu não sei o que vai”. Eu defino se meu sonho vai acontecer ou não, se é possível ou não. Enquanto acharmos e colocarmos empecilhos, realmente elas não vão acontecer. Fácil não será, mas quem disse que seria? Se você quer seu sonho real, lute por ele, corra atrás do seu objetivo, porque com certeza a solução e a conquista do seu sonho não cairá do céu, ela virá do fruto da sua força de vontade e capacidade.

Me senti inspirado pela aquela garota, todo seu entusiasmo e animo me mostrou como estou perdendo isso e como não posso me deixar seu preenchido por esse pensamento. Acho que todos nós viemos a este mundo com um propósito e com a chance de realizar esse propósito, mas somente uma pessoa pode determinar se ele vai ou não ser realizado.

Eai, vai ficar esperando cair do céu?

por Hélio Santos
Sociedade / agosto 20, 2014

Totalmente preparado?

Você está preparado?

Nessa vida urbana, observamos e vivenciamos muitas coisas no nosso dia a dia. A diferença é que certas coisas, ou a maioria delas, passa despercebida por nós. Sempre fui muito observador, e com o passar do tempo comecei a observar as pessoas, como se comportam, como se expressam em determinadas situações, as vezes até penso que isso é um defeito, ficou pretensioso as minhas análises e isso faz com que muitas vezes me privo de conhecer pessoas novas, por ter julgado alguém somente pelo que vi.

Essa semana, pude presenciar uma cena, em que não se assemelha com o conhecer alguém, mas como estamos despreparados para ajudar alguém. Como muitos brasileiros, faço uso do transporte publico da minha cidade. E como em várias cidades Brasil afora é péssimo. Os ônibus sempre atrasados, lotados, muitos velhos, pessoas más educadas, que só faltam passar por cima de você sem abrir a boca e pedir um simples “licença por favor”. Alguns desses ônibus, como devem saber, são equipados para transportar cadeirantes.

Pois bem, eu estava em um desses ônibus. Enquanto ouvia no fone Emicida, percebi uma mulher (cadeirante) na fila do ônibus. Quando o mesmo chegou, percebi uma certa discussão entre cobrador e motorista de como operar o aparelho que coloca a cadeira de rodas dentro do veículo. Até então não dei atenção, entrei no ônibus, fiquei me espremendo no fundo do ônibus e alguns minutos depois seguimos viagem. Depois de algum tempo a moça (já dentro do ônibus) solicitou a parada em um ponto, e a essa altura o ônibus lotado, todos observaram a cena que durou mais ou menos 10 minutos. A cobradora mexendo no aparelho, tentando fazer a plataforma descer até a altura do chão da rua, o aparelho não respondia aos comandos, o motorista já estava ficando bravo porque queria seguir viagem, alguns se amontoaram em volta pra olhar a cena. Não vi muito mais do que aconteceu depois, pois haviam muitas pessoas em volta. No fim, conseguiram descer a moça do ônibus e a viagem seguiu.

Percebi naquele momento como estamos totalmente despreparados e não sabemos nos portar em determinadas situações. Como ser diferente, é estranho, é esquisito, a maneira como as pessoas ficavam olhando a cena, sem reação, algumas não dando muita atenção, outras curiosas com o que ia acontecer, algumas poucas tentando ajudar da maneira que podiam. Profissionais visivelmente despreparados que não vaziam a mínima ideia de como operar um aparelho. Foram “n” situações, gestos, comportamentos que minha mente ferveu com tantas ideias para escrever.

Mas o que ficou nítido pra mim, foi como o nosso despreparo e ainda mais, a nossa falta de sensibilidade com o próximo é enorme. Com essa correria do dia a dia, utilizamos a velha desculpa que estamos sempre ocupados demais, deixamos de reparar nas pequenas coisas, de fazer pequenos gestos que fazem a diferença na vida de alguém. E como a minoria é sempre deixada de lado ou simplesmente ignorada. Pessoas cobram posturas dos governantes, que elas mesmas não fazem. É como dizer a uma criança que não fale palavrão e no minuto seguinte você está mandando alguém pra merda. Não faz sentindo nenhum.

Pois é, ser observador demais tem dessas coisas, perceber essas situações já se tornou algo normal, e ainda mais normal é não fazer nada diante disso. Se queremos a diferença na nossa politica, porque não começar nas atitudes da nossa sociedade? #ficaadica

por Hélio Santos
Sociedade / julho 24, 2014

Profissão procrastinador

Porque procrastinar tanto?

Quem já acompanhou algumas das míseras postagens do meu blog já pode ver um texto aonde falei de como me acomodei em determinado tempo da minha vida. E percebo que estou fazendo isso novamente. E mais uma vez estou usando o blog pra mostrar essa minha procrastinação cada vez mais crescente e presente.

As vezes tento me convencer que ando muito ocupado, cansado, distraído, com um milhão de coisas pra fazer, que tenho mil livros pra ler, mil coisas pra estudar. Mas me lembro que a algum tempo atrás isso não era desculpa e conseguia fazer muito mais coisas que faço agora. A partir disso, tomo consciência de uma triste realidade: eu me tornei mais um. Me tornei mais um que acorda reclamando na segunda-feira, que fala mal de política, que chega em casa cansado e só pensa em dormir, joga conversa fora com os amigos no bar, tem um emprego mais ou menos, recebe um salário mais ou menos o que da pra ter uma vida mais ou menos.

Eu que sempre me imaginei sendo mais, buscando mais, me realizando mais. Hoje estou me conformando com metade disso, e perceber isso, me entristece, e me faz perguntar: “Porque deixei isso acontecer?. Porque as coisas não saíram como eu queria? Porque não fui esforçado o suficiente? Porque fui preguiçoso ou deixei as oportunidades passarem?” Pode ser todos os motivos juntos, ou nenhum deles. Talvez as coisas só não aconteceram da forma que eu queria. Todos sabemos que a vida citando Joseph Klimmer, “é uma caixinha de surpresas”.

Pode ser um pouco de drama, exagero, mas percebo que nesse momento da minha vida, deveria estar ocupado com livros, matérias, provas, trabalhos, e não apenas passando mais de 8 horas do dia reclamando do trabalho cansativo e da vida que é “ruim comigo”. Já fui muito de fazer promessas, como aquelas pessoas que prometem no domingo a noite que vão começar um regime na segunda e na quarta já estão almoçando feijoada. Não faço mais isso, não tento mais me iludir com certas coisas, algumas outras…bem, ninguém é perfeito.

Só estou tentando mudar e expulsar de fez essa inércia que sinto crescendo. Sim, foi um texto de lamentação, tá mais pra desabafo, mas quem nunca? Só espero que ao passar de 2, 3 meses não tenha que fazer texto semelhante ou refletir sobre o mesmo assunto. E o jeito mais viável não é nada mirabolante, puxar as mangas e mãos na massa.

por Hélio Santos
Sociedade / julho 09, 2014

A Copa dos Ignorantes

Jogo-Brasil-x-Sérvia

Estou “ensaiando” pra fazer um texto sobre o mundial já tem um tempo, acho que hoje encontrei e vi um motivo mais que especial. Hoje vi, o quão frágil, sensível e principalmente ignorante é o povo brasileiro. Sim, afirmo isso pois em um jogo de 90 minutos pode-se perceber como somos facilmente moldados a culpar e a desacreditar de nossas convicções.

Esse mundial, antes mesmo de começar já foi taxado de o pior, de que o povo brasileiro daria vexame dentro e fora de campo. Isso porque? Porque a nossa mídia nacional, bombardeou o governo ao longo de todos esses anos que antecederam o mundial no Brasil. Assim como foi feito nas manifestações de 2013, enfatizou com maestria os lados negativos da competição. Não que devêssemos tampar os olhos para tudo o que estava acontecendo fora dos gramados. Mas pode-se perceber a maneira quase que apelativa que isso era e é exibido por certos canais televisivos. Mesmo assim, estamos lá nós, mas de 200 milhões de brasileiros, torcendo, empurrando, parando nossas vidas, trabalhos e afazeres e ficando grudados por mais de 90 minutos gritando, criticando, opinando, brigando e discutindo com a televisão.

O que foi divertido, futebol é um esporte mágico, que te envolve, faz com que você se sinta alegre, motivado, feliz. E por ser na “nossa casa” teve um ar totalmente especial. Todo diferente que deu a cara do Brasil, povo hospitaleiro, alegre, divertido. Que em meio a tantas adversidades está sempre estampando um sorriso no rosto. Quem leu até agora está se perguntando: “porque esse cara disse no começo que o Brasil é um povo frágil, sensível e ignorante e até agora está esbanjando comentários positivos?”

Faço isso pelo simples motivo de que no momento em que o time mais precisou da torcida, no momento em que o time mais precisou de motivação, o que fizemos? NADA.
Com Neymar machucado muitos já davam a desclassificação do Brasil como certa, como se Neymar Jr sozinho fosse resolver todas as dificuldades do time, como se o fato de a marcação e o meio-campo sem muita criatividade fossem culpa e responsabilidade apenas por um único jogador. E quando o time, aos 29 minutos do primeiro tempo perdia por 5×0 de uma Alemanha que veio como um rolo compressor pra cima de nós, o que os brasileiros fizeram? Foram embora do estádio. Simplesmente abandonaram o barco, dando um sinal claro de que nunca acreditaram realmente no time, que só estavam esperando um momento para simplesmente pularem fora de tudo aquilo. E para um time, já abalado por ter perdido seu melhor jogador, pela derrota que a cada minuto passado só aumentava, ver uma torcida que não apoia, que não se mobiliza em favor do time, pra qualquer jogador desse ser algo terrível.

“Então quer dizer que o culpa é do torcedor que preferiu ir pra casa ao ver esse vexame?” Sim, a culpa é do torcedor, a culpa é do jogador da Colômbia, a culpa é do Neymar que não viu ele, a culpa é do Fred que não participou dos jogos, a culpa é do Júlio César de novo que está velho de mais, a culpa é do Felipão que não sabe convocar, nem armar um esquema tático descente. A culpa é de todo mundo que torceu contra, que não acreditou, que não mostrou o que realmente é ser brasileiro. Ver comentaristas esportivos dizendo que o treinador deveria mexer assim ou assado, como se fosse doutores da lei do futebol. Muitos nem jogaram futebol de botão na vida, não sabem a responsabilidade e a pressão dessa profissão. Eu também não sei e nunca vou saber. Felipão fez as escolhas que achou certo, que julgou melhor pelo time. Falhou? Pode ser que sim, pode ser que não, o certo que achar culpado não vai levar a nada. E apenas sentar e se lamentar também não vai.

Ainda a um jogo a ser feito, ainda existe um time que deve buscar sua dignidade de volta, se não conseguiram jogar pelo povo, ou por Neymar, que joguem por eles mesmos, que joguem, pelas suas histórias de vidas e tudo o que fizeram para viver essa copa do mundo. Orgulho maior não deve ter do que honrar o seu país em uma competição internacional, por mais corrupto, sujo, desigual que seja, é o nosso país e apesar de todos os problemas devemos ser brasileiros sempre. Na derrota e na vitória. No choro e na alegria. Porque em meio a tantos problemas, a copa do mundo deve ser um momento em que todos os brasileiros devem vestir suas amarelinhas e dizer “eu sou brasileiro sim, com muito, orgulho e com muito amor”.Futebol não é só entretenimento, é uma forma de expressão de um povo. Povo esse que está cansado de sofrer, de chorar, de se lamentar, e que já está na hora de mostrar esse patriotismo não só dentro dos estádios, mas nas eleições, nas ruas, no trabalho, na escola e na vida. Só assim poderemos transmitir coragem, determinação a esses jogadores que nos representam, e que honram seu país.

No momento em que faço esse texto, mas de 5 horas após o jogo ainda estou vestindo minha camisa amarela. Ainda está custando tirá-la e acreditar nessa derrota, mas também foi a forma que encontrei de transmitir força aqueles 23 jogadores, por mais ilógico que isso seja. Mas é o que meu patriotismo pede que eu faça. E mais patriota ainda, seremos nós, se amanhã, mesmo após a ressaca dessa amarga derrota, vestimos nossos “mantos sagrados” e mostrarmos que perdemos sim, mas isso não nos torna menos desacreditados de um Brasil melhor, dentro e fora de campo.

por Hélio Santos
Sociedade / Abril 19, 2014

O Dono do Brasil.

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E se você não sabe ou esqueceu, hoje, 19 de abril é dia do índio. Algumas pequenas curiosidades antes do texto:

O Dia do índio,19 de Abril, foi criado pelo presidente Getúlio Vargas através do decreto-lei 5540 de 1943 e relembra o dia, em 1940, nos quais várias lideranças indígenas do continente resolveram participar do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México. Eles haviam boicotado os dias iniciais do evento, temendo que suas reivindicações não fossem ouvidas pelos “homens brancos”. Durante este congresso foi criado o Instituto Indigenista Interamericano, também sediado no México, que tem como função zelar pelos direitos dos indígenas na América. O Brasil não aderiu imediatamente ao instituto, mas após a intervenção do Marechal Rondon apresentou sua adesão e instituiu o Dia do Índio no dia 19 de abril. O dia do Índio tem como função relatar os direitos indígenas e faz com que o povo brasileiro saiba da importância que eles tem na nossa história.

Considerados os primeiros habitantes dessas terras, os índios, como foram chamados pelos primeiros colonizadores que achavam que haviam chegado na Índia, existiam em mais de 1400 povos indígenas diferentes, em termos numéricos, essa variedade de povos abarcava uma população que oscilou entre três a cinco milhões de habitantes. Entre nômades, seminômades, outros que dominavam a agricultura e tinha uma rotina de trabalho intensa e regular. Não por acaso muitos foram feitos escravos nas propriedades criadas pelos colonizadores portugueses.

Depois da pequena aula de história que todos os brasileiros deveriam saber, podemos perceber o quão importante e significativa é a história do índio no nosso país e nos continentes das Américas. Apesar de toda a mobilização que foi feita para que os direitos dos índios se façam presentes e notados, vivenciamos momentos em que a nossa sociedade não vê com tanta importância os direitos indígenas e a história que possuem no nosso país. Com certeza você já ouviu e ou viu algum noticiário falando a respeito de vandalismo contra indígenas, desde ofensas verbais e discriminação, até espancamentos, mutilações e até casos onde os índios foram queimados vivos. E o motivo disso tudo? Discriminação, preconceito, racismo e simplesmente por não gostarem de índios.

Se analisarmos bem os motivos, não há nada nesse mundo que fará ser compreensível o motivo de tanta crueldade e violência. Violência essa que antecede nos colonizadores portugueses, que para tirar proveito de todo o conhecimento dos índios, os escravizaram por anos, assim como fizeram com os negros vindos da África. Sendo assim é difícil dizer, mas o preconceito, a discriminação e a violência contra os povos indígenas, podem ser algo cultural em nosso país. Mas como e porque ser assim? Povos que descendem de todos nós, sim, descendemos deles, (um estudo recente do geneticista brasileiro Sérgio Danilo Pena mostrou que 70% dos brasileiros que se dizem brancos têm índios ou negros entre seus antepassados. Ou seja, a maioria de nós tem sangue mestiço). Povos que criaram costumes e dizeres que usados e feitos até hoje. A pipoca, farinha de mandioca, a palavra bunda, vem do tupi-guarani, entre tantas outras. E porque, mesmo assim, mesmo sendo descendentes, muitos de nós “homens brancos” ainda temos esse julgamento preconceituoso e discriminatório para com os índios?

E porque, criamos esse dia para a sua comemoração quando não vemos tantas comemorações e homenagens prestadas, pois ao longo dos séculos o “homem branco” matou, mutilou, escravizou, excluiu e está extinguindo os índios do nosso país. Uma população que já chegou a ter mais de cinco milhões de habitantes, hoje não passa de 350 mil, e muitos dos povos já estão extintos e muitos outros em breve serão também. Estamos vivendo um momento na nossa sociedade em que cada vez mais as pessoas estão intolerantes e insensatas, onde os abusos sexuais, discriminação, preconceitos e qualquer tipo de violência acaba sendo algo normal. Algo do nosso dia a dia. E que infelizmente a mais motivos para se entristecer com o dia do índio do que para comemorar.

Fontes: http://www.escolakids.com/indios-os-primeiros-habitantes-do-brasil.htm
                http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_%C3%8Dndio
por Hélio Santos
Sociedade / Abril 15, 2014

E Ela chegou…

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Enfim ela chegou. Tão sorrateira e marota que quando menos se espera, lá está, te dando um bom dia que de bom não tem quase nada. Cansado dos dois únicos, queridos e tão desejados dias para descanso você se levanta da cama praticamente arrastado e minutos depois se pergunta “como eu fiz pra levantar da cama?”. Pois é, ela tem esse dom. O rosto maltrapilho que vê no espelho reflete bem o que ela faz, sono excessivo, cansaço mais que evidente, mesmo assim você vai, na velocidade de uma internet discada escovar os dentes, mantendo o mesmo ritmo de escovação por mais tempo que o necessário.

O banho te desperta um pouco, depois de ficar alguns minutos a mais recapitulando o final de semana e pensando no que a semana te reserva. O café parece mais amargo do que o de costume, talvez seja por causa de um “resto” da ressaca. Após demorar um pouco mais do que o normal para se arrumar, você finalmente sai de casa depois de perceber que já está ficando atrasado para o trabalho. Chega até o ponto de ônibus e ele acaba de passar pela sua frente como uma miragem que de tão surreal era bem real. Após pegar o próximo ônibus o caminho que geralmente já é engarrafado está mais ainda, é incrível como ela faz isso. A angustia vai subindo e a hora vai passando diante dos seus olhos caprichosamente. Depois de descer do ônibus e finalmente chegar ao trabalho você se depara com colegas de trabalho na mesma situação, se não piores que você.

Alguns resmungando, outros bocejando, outros tentando mostrar que ela é como outra coisa qualquer. O dia vai passando, ou melhor se arrastando, até que a hora do almoço chega, é incrível como sono vem após a refeição com mais força ainda. Você não entende como ela é capaz disso. Depois de voltar do almoço você só consegue pensar no momento em que o relógio marcará o horário de ir embora. Depois de passar o dia se arrastando pelo escritório, e de escutar e falar reclamações para todos, tomar inúmeras xícaras de café para “tentar” espantar o sono, finalmente você vai embora e pensa somente no sofá que esta a sua espera e de um bom banho e roupa limpa.

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Eis que a batalha para voltar pra casa começa. O elevador não funciona, o que te faz descer lances e mais lances de escada, se deparar com um trânsito ainda pior do que quando saiu pela manhã. Ficar estressado no trânsito, de tanto ouvir buzinas de carros, motos, ônibus. Finalmente em casa, e depois de tomar um bom banho e comer, você enfim agradece por ela sair de cena.

A segunda-feira tem esse poder e essa “cisma’’ de levar a culpa de tudo no início da semana. Ela é vilã do domingo e inimiga mortal da sexta-feira. A menos que seja um feriado, ai ela se torna amiga inseparável e desejável. Apesar disso a segunda-feira é mais um dia, você faz o que tem que fazer, vai aonde tem que ir, faz suas obrigações e responsabilidades, reclama por não ter dormindo mais no final de semana, não ter comido mais, não ter aproveitado mais, não ter feito mais. Apesar de reclamar mais e mais a segunda-feira te dá a chance de fazer esse “a mais” que nunca faz. Ela inicia mais uma semana que te dará possibilidades infinitas. Apenas saiba aproveitar essas oportunidades e não culpar um dia por algo que você foi incapaz de fazer.

por Hélio Santos

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