Comunicadores, Destaques / fevereiro 05, 2019

Largue na frente, mas renasça ao final do caminho.

Fênix. Um animal mitológico, que tem como principal característica o seu renascimento das cinzas. Segundo a antiga crença grega, essa ave ao final da vida, entrava em autocombustão e das suas cinzas ressurgia.

Virou símbolo de imortalidade, longevidade  e renovação.

Sendo essa última, um dos destaques deste post.

Mas o que um bicho que pega fogo tem haver com comunicação? Muito pra dizer a verdade meu jovem padawan. Ainda mais sobre o profissional que será destacado aqui.

No dia 1° de fevereiro é comemorado o dia do publicitário, profissão essa que escolhi pra chamar de minha <3 (muito amor envolvido). Esse ofício, que ao meu ver, passa por inúmeras transformações me faz perceber um belo reflexo da nossa sociedade, e explico porque.

A PUBLICIDADE DE OUTRO SÉCULO

De forma ampla, a comunicação sempre foi utilizada para transmitir algo, seja informação, vender um produto ou serviço, uma ideia ou ideologia. Sua aplicação é incrivelmente variável, e ela foi utilizada dentro da história acompanhando a evolução da civilização humana. É ai que entra nossa querida publicidade.

A publicidade tem como um dos principais objetivos promover organizações, serviços e produtos. Por essa razão, no decorrer da história humana podemos observar essa propagação de acordo com a realidade de cada época, onde há 40, 50 anos atrás situações corriqueiras daquele tempo, hoje seriam consideradas ultrajantes.

Vamos para alguns exemplos, relacionando a figura da mulher e a evolução da visão dela dentro da sociedade e da publicidade:

Uma “bela” publicidade dos anos 60. Retratando como um porta-malas pode ser espaçoso (fonte: gq.globo.com)

Ahh, os anos 60, década de grandes músicas, Elvis entrando no auge, jaquetas de couro pra todo lado e época também de propaganda de cunho…um tanto quanto duvidoso, como esse da ford.

Era uma sociedade muito machista e predominantemente controlada pelo autoritarismo patriarcal, e isso se refletia muito nas propaganda da década, onde ou a mulher era ridicularizada ou colocada apenas como a dona do lar, que cuidava da manutenção da casa e criação dos filhos, enquanto o marido era o responsável por prover do sustento de toda a família.

Essa mentalidade perdurou no Brasil e no mundo por muito tempo, somente nas décadas seguintes essa abordagem deixou de ser predominante (mas infelizmente ainda  não acabou).

Porém, entramos numa época de muita sexualização da figura da mulher. Se antes ela era vista apenas como a mantenedora do bem estar do lar, agora era vista como objeto sexual, como em muitas propagandas veiculadas em meados dos anos 90 e início dos anos 2000.

A retratação da mulher como símbolo sexual nos anos 90 (fonte: vindodospampas.blogspot.com)

Houve uma “evolução” na sociedade nesse sentido, passando a mulher de figura recatada  e do lar, para uma sexualização em muitas situações, bem extrema.

ENTREGUE A CÉSAR!

Acho que o imperador não curtiu muito isso (fonte: Pinterest)

Era no maior estilo: “dê a César o que é de César”, e “dê ao povo o que é do povo”. Se a população se acostumou a ver aquele tipo de propaganda e era bem recebida os publicitários e grandes agências continuavam no embalo de produzir, mais e mais conteúdos dessa forma, o que alimentou o mercado por muitos anos.

Hoje felizmente vivemos em um momento onde esse tipo de abordagem já não é bem vista e bem recebida, seja pelo mercado ou pela sociedade civil.

As pessoas passaram a exigir mais e a cobrar uma postura diferente dos grandes anunciantes, o que obrigou a Publicidade a sair da sua zona de conforto e criar conteúdos que agradassem ao público no sentido de não só vender um produto/serviço mas trazer uma mensagem relevante e que também evidenciasse ao anunciante que aquilo era uma forma de gerar lucro.

Philip Kotler, já afirma que vivemos em uma era onde os consumidores não querem mais saber se o produto é bom em algo específico, mas qual o compromisso das marcas para com o todo, com o mundo.

Essa cobrança exige, não só dos anunciantes e grandes corporações uma abordagem nova, mas como também dos profissionais da comunicação uma postura nova, de trazer aquilo que o povo anseia.

Eis que entramos novamente na Fênix lá do começo desse post. Mas antes de falar da fênix falemos do galo. Que é símbolo da publicidade, retratado como animal que anuncia o raiar de um novo dia primeiro, aquele que chega na frente dos outros e se antecipa. É o que basicamente a profissão exige dos profissionais, que chegam primeiro, que sejam autênticos e se antecipem.

Porém, acredito que mais uma vez, estamos passando por um momento de transformação, de renovação. E agora não basta apenas chegar primeiro, mas, renascer. O mercado e a sociedade já não vê como um puta diferencial quem larga na frente, até porque hoje o que mais vemos são pessoas e também profissionais que chegam primeiro, mas com Fake News, o que só desfavorece toda a comunicação.

Hoje é necessário algo acima disso, que proponha algo novo, proponha quebras de paradigmas e na obtenção de uma comunicação mais assertiva que inclua e aborda a diversidade.

Por isso, me arrisco dizer que a fênix é o animal que melhor representa o publicitário  no momento presente, nos fazendo renascer.

Sair do pedestal de grande Galo, de manda-chuva que conhece tudo e está sempre na frente de todos, mas sim de uma Fênix, que reconhece sua fraqueza e em sua humildade, se recolhe, morre e renasce, mais forte, melhor preparada para alçar voos ainda maiores e com a vantagem de ter a experiência de vidas passadas para não cometer o mesmo erro de outrora.

OS PROFISSIONAIS DO PRESENTE E DO  FUTURO

Dessa maneira, ter profissionais, publicitários que se preocupam com essa visão de renascer e acima de tudo, buscam a humildade de reconhecer que precisamos estar em constante melhoria, constante aprendizado e assim como a Fênix, renascer sempre que necessário, perguntei a alguns colegas de profissão qual são suas visões sobre essa tão falada publicidade:

“Ser publicitário para mim é responder essa pergunta de forma tão criativa e vendedora que leve todos que lerem a desejar essa profissão tão incrível e sedutora”

Tadeu Brettas, “alguns aninhos” de publicidade e um baita propagador de conhecimento.  – Contato

“Trabalhar com comunicação é um desafio constante de atrair a atenção das pessoas. É sempre se colocar à prova e se adaptar; todo dia!”

Thomaz Moraes, um dos responsáveis por eu estar nessa “loucura” de publicidade e sempre disseminando sabedoria na comunicação – Contato

“Estudar publicidade é aprender comunicação saindo da caixinha. E de quebra, vender a caixinha por um bom preço”

Claudio Massini, companheiro navegante nessa vida de estudante publicitário e um puta criativo – Contato

Não só a publicidade, mas várias outras profissões precisam de renascimento, e além das profissões, nós enquanto seres andantes desse imenso planeta azul, necessitamos desse renascer.

Acredito que só colocando a mãozinha na consciência de fato podemos, buscar essa tão falada “sociedade melhor”, e se nós (atrevo a me colocar no meio mesmo antes de formado), profissionais de comunicação podemos contribuir com isso, por que não?

Concorda? Discorda? To criando muita moda com essa história de “renascer das cinzas?” Deixe seus comentários aqui embaixo, vamos compartilhar.

por Hélio Santos

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